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Somos Peregrinos

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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..andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação… (1 Pedro 1.17)

Não se esqueça: somos peregrinos. Este mundo não é o seu destino, este tempo não é o seu alvo. Toda aflição e todo sucesso aqui experimentado tem um prazo de validade. E um prazo de validade muito curto. A eternidade nos espera. Jamais devemos nos desesperar ou nos iludir com as coisas desta vida, a ponto de esquecer o que realmente importa. É tolice colocar nossos corações naquilo que perece, enquanto temos promessas de coisas que sempre duram.

O padrão de medida desta era não serve para nós. Nossos valores vêm da eternidade. É lá que tudo será compreendido com clareza. É lá que o verdadeiro valor de nossa vida será revelado. Se esquecemos isto, então já estamos caminhando sem meta.

Nossa vida nesta terra não precisa ser ruim, mas não podemos esquecer que ela não é a única e nem mesmo mais importante. A vida de qualidade não é a que pode ser chamada boa pelos padrões terrenos, mas a que permanecerá para sempre na presença de Deus.

Miramos na eternidade. Nosso alvo é Canaã. Já não somos quem éramos, mas ainda não somos o que seremos. Rompemos com o passado, e, no entanto, ansiamos por um futuro que nos move a caminhar. Olhamos para frente, pois lá está nossa morada.

É esse senso que transforma nossos passos nesta terra. Vivemos em um mundo que vê o agora como derradeiro e por isso só se preocupa com as coisas desta terra. Estamos cercados por pessoas que não temem a colheita do amanhã e por isso semeiam ervas amargas onde passam. Não ajuntam tesouros nos céus e, portanto, viverão a eternidade no vazio.

Se perdermos nosso alvo, também perderemos nosso caminho. Sem esperança no amanhã, não há esperança para o hoje. Já morremos e nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Colossenses 3.3). É tolice ter o coração preso a uma terra que não é nossa. Somos peregrinos e por isso nossos olhos se dirigem para o além.

Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno (2 Coríntios 4.16-18)

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles (Lucas 24.15)

O filósofo grego Aristóteles viveu na Grécia entre 384 e 322 antes de Cristo. Foi um dos homens mais inteligentes da história. Ele costumava ensinar aos seus alunos enquanto andava pelas áreas da escola por ele fundada. Enquanto caminhavam entre as árvores e pórticos ele ia instruindo os seus discípulos. Esse método foi chamado de “peripatético”.

O método de Deus também é peripatético. Ele não nos coloca em uma sala por um tempo determinado, com um livro nas mãos e vai explicando coisas. Deus nos ensina enquanto caminhamos com Ele. Em meio aos caminhos da vida Ele nos instrui. Nas necessidades, nas aflições, nas vitórias e nas bênçãos vai mostrando e falando aos nossos corações. Ele entrelaça Sua verdade nas entrelinhas de nossa história, de modo que os acontecimentos vividos são permeados por Suas lições. Não paramos para aprender. Aprendemos em meio ao mover de tudo.

O mundo é Sua sala de aula. Ele usa todos os eventos, todas as circunstâncias, todas as pessoas, para transmitir a nós Sua sabedoria, Sua vontade e Seu Ser. Não existe um instante ou lugar que Ele não utilize para nos fazer entender seus propósitos. Seu tempo é sempre e seu lugar é todos.

Jesus não dependia de lugares específicos ou tempos limitados para transmitir aos seus discípulos o que eles precisavam aprender. Podia ser junto a um poço, dentro de um barco ou na casa de um amigo. Podia ser após um milagre ou após um fracasso deles. Podia ser após a tempestade ou enquanto orava. Na montanha, na planície ou no vale, todo lugar era o lugar e todo instante o momento para inserir na mente e no coração daqueles homens as verdades que queria revelar.

Deus não tem limites e sua didática também não. Se você estiver disposto a aprender em qualquer circunstância, ouvirá sua voz e sentirá sua mão nos lugares mais incomuns. Cada passo seu será enriquecido com as riquezas de Deus e ao final de cada dia terá crescido um pouco mais em Cristo.

Deus não apenas anda conosco em todo o tempo. Ele usa todo o tempo para nos ensinar.

Referências no Reino

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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E Asa fez o que era reto aos olhos do SENHOR, como Davi, seu pai,… (1 Reis 15.11)

Deus passou a avaliar os reis de Israel de acordo com aquilo que Ele encontrou em Davi. Ou eles foram fiéis ao Senhor “como Davi seu pai” ou não foram obedientes a Deus “como Davi seu pai”. Davi era o padrão daquilo que o Senhor esperava deles. Ele tornou-se uma referência no Reino.

Vivemos em um mundo confuso, onde as pessoas nem sempre praticam o que pregam, nem vivem o que ensinam. Um mundo onde boas intenções estão submersas em um pântano de más ações e onde procuramos não apenas alguém que nos mostre o caminho, mas alguém que o percorra conosco. Há um abismo muito largo entre o padrão da Palavra e a vida dos que a carregam. Vivemos em um mundo sem referências concretas!

Devemos dar graças a Deus pelas raras pessoas que cruzaram os nossos caminhos, cuja vida foi luz. Nossos passos seguiram suas pegadas porque as vimos caminhar em linha reta rumo ao alvo e, portanto, sabíamos que seu caminho era seguro. O amor dessas pessoas nos ensinou o que é amar. Sua vida de oração nos colocou de joelhos. Sua sabedoria, santidade e temor fez nosso coração desejar vidas como as delas.

Não basta entrar no Reino. Precisamos ter e ser referência nele. Precisamos de pessoas que nos falarão com suas vidas, mais do que com suas palavras. Que nos influenciarão pelo que são, não pelo que dizem. Pessoas que deixarão marcas tão profundas em nossos corações que serão como sulcos profundos por onde caminharemos por toda a vida.

E por causa delas seremos também referência para outros. Nossos passos guiarão outros passos, nossa vida será luz para outras vidas. Nossa fidelidade gerará fidelidade, nosso amor a Deus produzirá em outros o mesmo amor a Deus. Nossa perseverança levará muitos até o fim.

“Tendo Davi servido no seu tempo conforme a vontade de Deus, dormiu com seus pais…” (Atos 13.36). Contudo, deixou para as gerações seguintes um padrão de amor, devoção e obediência a Deus que foi seguido por muitos.

Deus nos ajude a ser referência para nossos filhos, nossos amigos, nossos irmãos. Que eles encontrem em nós uma firme orientação para todos os seus passos.

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1 João 1.3)

Relacionamentos sem conflitos nem sempre indicam comunhão. Muitas vezes não passam de indiferença, de estratégia “política” ou mesmo de uma trégua prudente. Não há brigas, contendas ou atritos. Só há o silêncio insosso e insípido. As pessoas convivem interagindo o mínimo possível, no esforço de evitar choques. Quem observa esse ambiente pacífico o julga saudável e suficiente. Uma paz ruim é sempre melhor do que uma boa guerra.

Todavia, essa não é a comunhão que Deus deseja encontrar entre o seu povo. Isso não representa o ideal divino de irmãos vivendo em união, que é “como o óleo precioso que desce sobre a barba, a barba de Arão…” (Salmo 133.2). Por melhor que aparente ser, não é união. Trata-se de pessoas caminhando lado a lado, evitando o menor toque. Isso impede tumultos, mas não produz comunhão, não atrai a bênção de Deus, não é “como o orvalho de Hermon, que desce sobre os montes de Sião, onde o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre” (Salmo 133.3)

Mesmo que eu não brigue com meu irmão em Cristo, isto não significa que eu o amo. Não significa que nossas vidas estão ligadas em um só Espírito, que o Espírito de Deus flui entre nós como em um só Corpo. Quer dizer apenas que me isolei dele o suficiente para caminhar ao seu lado sem que nossas almas se toquem. Somos lagartas em nossos próprios casulos e não sangue e vida do Corpo de Cristo.

Nós já experimentamos muitas vezes o que Deus pode fazer quando ele encontra um grupo, pequeno ou grande, que tem não apenas comunhão com Ele, mas comunhão uns com os outros. Então o Espírito opera, flui e faz sentir sua presença. O que dois ou três verdadeiramente concordam, o Pai verdadeiramente faz.

Precisamos de perdão, amor fraterno e comunhão. Estar não apenas reunidos, mas unidos em só coração e espírito. Não apenas ajuntados, mas unificados em amor, Naquele que nos chamou para andar Nele.

“… para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João 1.3)

Naquele Dia

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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“… e só o SENHOR será exaltado naquele dia” (Isaías 2.11)

Naquele dia todas as nossas perguntas terão suas respostas e todos os nossos anseios encontrarão alívio. Nossas dores chegarão ao fim e as milenares promessas terão em nós o seu sim. Toda lágrima será enxugada e toda maldição será anulada. As trevas serão para sempre e completamente dissipadas pela luz, o mal já não será e Deus será tudo em todos.

Naquele dia todas as promessas serão cumpridas, revelando a cada um de nós o quanto valeu a pena crer, esperar e sofrer. O futuro justificará nosso presente e dará a ele um valor que não conseguimos ver agora. Lamentaremos não ter feito mais para Ele, não ter dado mais a Ele, não ter sido melhores Nele. Veremos quão pequenas foram as nossas expectativas diante da realidade revelada. Todas as nossas maiores bênçãos serão como nada diante do Abençoador.

Naquele dia o mundo saberá que há um só Deus, Soberano e Senhor sobre todas as coisas. Verão com tristeza que nenhumas de Suas advertências eram palavras em vão. Saberão que tudo o que sabem são ignorância e escuridão diante Daquele que habita na luz inacessível. Reconhecerão que suas negações não puderam anulá-Lo e que todas as suas fugas não puderam escondê-los dos olhos Daquele para quem todas as coisas estão nuas e palpáveis (Hebreus 4.13).

“Então se verá outra vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não serve a Deus” (Malaquias)

Naquele dia todo o mal será punido e todo bem será recompensado. Não haverá espaço para relativismos e nenhuma filosofia humana estará confortável. Só a verdade Deus triunfará. Sábios se perceberão tolos e muitos tidos por tolos verão quão real é o fato de que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.

Naquele dia, a glória de Deus e de Seu Filho resplandecerá para sempre como o brilho de todas as estrelas juntas. A realidade da Sua presença, suplantará todas as realidades e o conhecimento da Divindade será percepção permanente. Toda oposição a Ele, toda resistência a Ele será quebrada para sempre e a morte será morta. Só o Senhor será exaltado naquele dia e Deus será tudo em todos (1 Coríntios 15.28)

E o Verbo se Fez Carne

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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A verdade Bíblica da encarnação do Verbo me apaixona. Pensar que Deus, o Deus Eterno, se fez homem como todos os homem por amor a mim, faz com que o temor e a reverência me invadam. Nossa mente jamais será capaz de compreender tal profundidade. Sim, o amor de Cristo vai além de todo entendimento (Efésios 3.19). Nossa finitude se amedronta diante do infinito.

Por isso anotei alguns textos de autores de origem e épocas diferentes que procuraram expressar a grandeza desse acontecimento – a entrada de Deus no tempo e no espaço, enfim, na história.

JESUS… Ele podia segurar o Universo na palma da mão, mas abdicou disso para flutuar no ventre de uma virgem. (Max Lucado)

“… o próprio Deus, a segunda pessoa de uma igual e consubstancial trindade, foi manifestado na carne; sua eterna duração foi marcada pelos dias, e meses, e anos da existência humana; o Altíssimo tinha sido ofendido e crucificado; Sua impassível essência tinha sentido a dor e a angústia; sua onisciência não foi isenta da ignorância; e a Fonte da vida e da imortalidade expirou sobre o Monte Calvário” (Edward Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano, Capítulo XL – tradução livre)

“Nascera Cristo mil vezes em Belém; se em ti não nasce, estás perdido eternamente” (Mestre Eckhart)

“Não podíamos seguir o homem que tínhamos sob os olhos e era-nos necessário imitar a Deus, que para nós era invisível; a fim, pois, de dar ao homem um exemplo e um exemplo visível, Deus fez-se homem” (Agostinho de Hipona)

“Ninguém jamais viu a Deus, no máximo fora um vislumbre. Foi então que essa Expressão única de Deus, que existe no próprio coração do Pai, se revelou, com a clareza do dia” (João, o apóstolo – Paráfrase bíblica A Mensagem do Evangelho de João 1.18)

“A Palavra da Vida se manifestou bem diante de nós. Somos testemunhas oculares! Agora sem floreios, contamos tudo a vocês. O que testemunhamos foi simplesmente incrível: a infinita Vida do próprio Deus tomou forma diante de nós” (João, o apóstolo – Paráfrase bíblica A Mensagem da 1ª Epístola de João 1.2)

“O que é o Logos (Verbo)? É uma palavra grega de sentido incrivelmente rico. Eis alguns dos sentidos: o logos representa a Palavra de Deus, a revelação de Deus, a fala de Deus, a sabedoria de Deus, a mente de Deus, a verdade de Deus, a razão de Deus, a filosofia de Deus. Jesus é a filosofia de Deus” (Peter Kreeft)

Não Basta

Por Eguinaldo Hélio de Souza

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Não basta termos a Bíblia. Precisamos lê-la. Não importa o número de traduções, tipos e edições que tenhamos em nossa estante. Nada disso produzirá qualquer efeito em nossas vidas se não lermos constantemente, perseverantemente, persistentemente as Escrituras. Não é a posse delas que tem poder para nos mudar. É o conhecimento do seu conteúdo que irá nos instruir, exortar, conformar e fortalecer a nossa confiança em Seu Autor.

Não basta ler as Escrituras. Precisamos meditar nelas, mastigar bem cada livro, cada passagem, cada palavra. Alimentos mal mastigados são mal absorvidos pelo organismo. As palavras da verdade encontradas na Bíblia só serão bem absorvidas pela nossa mente e espírito se acompanhadas de uma medição permanente e contínua. Meditar dia e noite foi o padrão estabelecido.

Não basta meditar na Palavra. Precisamos compreendê-la. E isso nem sempre acontecerá com uma primeira, ou segundo, ou mesmo terceira leitura. Todo aprendizado requer tempo, dedicação, zelo, cuidado. Muitos a leram antes de nós, deixando comentários, notas, explicações que nos ajudarão a entender seu conteúdo. O estudo das Escrituras não tem formatura, graduação ou pós-graduação. Levaremos a vida inteira estudando sem nunca poder dizer que esgotamos seu conteúdo.

Não basta compreender a revelação divina. É preciso experimentar cada verdade ali exposta, é preciso se apropriar de cada promessa, cada realidade entregue. Nela aprendemos o que Deus fez por nós e pode fazer em nós. Não é somente um texto, mas a descrição de uma realidade. Cabe-nos provar cada fato e sentir seu gosto da mesma forma como experimentamos sabores e cheiros e sons e toques.

Não basta experimentar tudo isso. É preciso praticar. Precisamos ser movidos de modo poderoso a executar suas ordens e obedecer seus mandamentos, cumprir seus preceitos. De tudo o que se tem ouvido o fim é: teme a Deus e guarda os seus mandamentos, pois esse é o dever de todo homem. (Eclesiastes 12.13).

E por fim, nas nos basta praticar tudo o que nos foi ordenado. É preciso praticar até aquele grande dia, quando tudo o que foi lido, crido, compreendido e experimentado, será real e vívido como a vida que vivemos no temor e devoção a Deus e à sua Palavra.

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